Giro pelo Recôncavo I

Grafite autorizado retrata fases musicais de Caetano Veloso

Grafite autorizado na Praça 14 de julho retrata fases musicais de Caetano Veloso

A respeito do título acima, a minha ideia é manter a mesma linha dos posts anteriores. Ou seja, divulgar intervenções urbanas capturadas pelas minhas lentes e escrever sobre pontos turísticos das cidades de Santo Amaro, Cachoeira e São Félix. (Fotos: JFParanaguá.  Denuncie abusos. Direitos reservados).

Gleids marca presença

Gleids marca presença

O município de Santo Amaro, antigamente chamado de Santo Amaro da Purificação, está localizado na mesorregião Metropolitana de Salvador. Foi fundado em 1557, tem sua história ligada ao Engenho Sergipe do Conde, o “rei dos engenhos reais de cana-de-açúcar”, elevado a vila e município em 1727, tornando-se cidade em 1837 juntamente com a cidade irmã de Cachoeira-Bahia.

Relatos dão conta que, talvez, Santo Amaro tenha tido projeção mundial apenas por causa dos dois filhos ilustres da terra Caetano Veloso e Maria Bethânia. Mas, é evidente que através deles a cidade foi projetada nos quatros cantos do mundo. Importante ressaltar também a contribuição de ilustres personalidades santamarenses, a exemplo do saudoso médico José Silveira, responsável pela fundação que leva o seu nome; do engenheiro Theodoro Sampaio; do compositor Assis Valente; da escritora Amélia Rodrigues; de dona Canô, mãe dos Veloso; do apresentador de TV e professor Jorge Portugal; do cantor e compositor Roberto Mendes, que reside na cidade; da sambista dona Edith do Prato; do artista plástico Emanuel Araujo; dentre outros.

Personagem do grafiteiro Denissena na adutora de água, próximo a segunda linha férrea - Rodovia BA-o26

Personagem do grafiteiro Denissena na adutora de água, próximo da segunda linha férrea - Rodovia BA-026

Santo Amaro fica distante de Salvador 75 km, sendo 62 km até o entroncamento no KM 566 da Rodovia BR-324, sentido Salvador/Feira de Santana, e mais 13 km pela BA-026 até a cidade. Logo após cruzar a segunda linha férrea, salta aos olhos a tonalidade da padronização das barracas de frutas, pintadas na cor vermelha, localizadas na margem esquerda da Rodovia BA-026, imediações da entrada da cidade. Por sinal, já tem barracas com puxadinhos, modificando a proposta original. Fica aqui a sugestão para que a iniciativa seja implantada nas barracas que estão na Rodovia BA-422, sentido Cachoeira. Alguns metros depois de cruzar a terceira e última linha férrea, se você quiser pode dar uma parada na tradicional Padaria e Lanchonete São Raimundo para tomar um reforçado café, ou então, saborear os deliciosos lanches. Como sugestão, aconselho chegar mais cedo nos domingos ou feriados. Nesses dias o movimento é intenso por causa dos ônibus de passeio que passam pela cidade com destino as praias de Cabuçu e Bom Jesus dos Pobres no município de Saubara. 

Vista parcial do Rio Subaé com uma das margens da Avenida Pres. Vargas urbanizada

Vista parcial do Rio Subaé e uma das margens da Avenida Pres. Vargas urbanizada

Chama atenção também a urbanização com paisagismo nas margens do Rio Subaé, a instalação de semafóros em dois cruzamentos cruciais e a requalificação da Praça da Purificação.Se por acaso você já têm algum tempo que não visita a cidade ou não passa por lá em direção a outros municípios, prepare-se para algumas surpresas. Primeiro, o asfaltamento de várias vias do centro e áreas periféricas.

O vermelho chocante ficou esmaecido com o tempo

O vermelho chocante do prédio ficou esmaecido com o tempo

Segundo, prédios antigos do estilo barroco construídos no final dos anos 90, sediando órgãos municipais, foram pintados com a cor vermelho, modificando o visual desses monumentos históricos. Ainda bem que as vias no entorno da Igreja de Nossa Senhora da Purificação, Dr. Bião, Conselheiro Saraiva, Guerra Câmara, Viana Bandeira e a sede da prefeitura foram preservadas por serem tombados pelo IPHAN.

Prédio da Prefeitura Municipal

Prédio da Prefeitura e Câmara Municipal

Igreja Nossa Senhora do Rosário

Igreja Nossa Senhora do Rosário

Quanto ao asfalto, existem opiniões de moradores a favor e contra, com diversos tipos de argumentos. Eu, por exemplo, compartilho com a segunda opinião, mas questionando a parte histórica. Com esse tipo de pavimento, dentro de pouco tempo uma parte da história da cidade será esquecida pela população.

Bondinho com tração animal

Bondinho com tração animal

Por exemplo: quem vai se lembrar com o passar dos anos da importância dos trilhos urbanos ligando o centro ao cais nas margens do Rio Paraguaçu, no bairro do Trapiche? O trajeto era feito através do bondinho urbano com tração animal, percorrendo a rua dotada de trilhos, transportando os passageiros que utilizavam o vapor da Companhia de Navegação Bahiana – CNB, que fazia a linha Salvador/Cachoeira/Salvador.

Vapor da Companhia de Navegação Bahiana

Vapor da Companhia de Navegação Bahiana

Ao tocar nesse assunto, recordo-me da viagem que fiz na companhia de minha saudosa mãe. Na época, tinha entre oito ou dez anos e confesso que fiquei muito assustado. Como o navio não tinha condições de atracar no cais por causa do calado, parava a uma distância segura aguardando a aproximação do saveiro para desembarque ou embarque dos passageiros, que era feito através de uma escada no costado (boreste ou bombordo) do navio. Dessa viagem, primeira e última, o que mais gostei foi do bondinho puxado por animais. Um detalhe importante: os bondes com tração animal da cidade de Santo Amaro foram os últimos a trafegarem em várias partes do Brasil, e um dos últimos do mundo.

Restaurante Trilhos Urbanos: nome do estabelecimento resgate fato histórico

Restaurante Trilhos Urbanos: nome do estabelecimento resgata fato histórico

 A propósito, parabenizo Mércia Costa, proprietária do “Restaurante Trilhos Urbanos”, por ter colocado o nome do estabelecimento, resgatando esse fato histórico da cidade. Além disso, ela montou no interior do restaurante uma pequena exposição com fotos do bondinho e figuras ilustres santamarenses.

Igreja de Nossa Senhora da Purificação

Igreja de Nossa Senhora da Purificação

Prédio da Fundação José Silveira

Prédio da Fundação José Silveira

Museu e Convento do Recolhimento dos Humildes

Museu e Convento do Recolhimento dos Humildes

Igreja do Amparo

Igreja do Amparo

Por ser uma cidade antiga, Santo Amaro tem imponentes edificações históricas, o que faz de sua arquitetura um forte atrativo para turistas que gostam deste tipo de visual. Cito como exemplos, a igreja de Nossa Senhora da Purificação, construida pelos Jesuitas do Colégio de Santo Antão de Lisboa, nos anos de 1604 ou 1608 e erguida em 1700. No mês de fevereiro, nesta igreja acontece a tradicional lavagem da escadaria com a participação de baianas; do Amparo; do Rosário; do Bonfim, bairro do mesmo nome; o prédio do Núcleo de Incentivo Cultural de Santo Amaro/Fundação José Silveira; o prédio da Prefeitura e Câmara Municipal; o Museu e Convento do Recolhimento dos Humildes, em fase de obras de restauração; a Casa do Samba. São pontos atrativos e visitados por turistas estrangeiros: o Mercado Popular e a feira ao ar livre com uma variedade de produtos da região. Inclua no roteiro uma passadinha na frente casa de dona Canô, mãe de Caetano e Bethânia, na Avenida Viana Bandeira.
Vista parcial da feira

Vista parcial da feira

Casa de "dona Canô"

Casa de "dona Canô"

A cidade também é cercada de belíssimas cachoeiras, cascatas, grutas e locais aprazíveis, como São Braz, Itapema, local onde está proibida a presença de ônibus de passeio e Acupe (Colônia de Pescadores). O potencial ecológico e turístico da região é bastante freqüentado pelos admiradores do esporte radical. Destaque para a Cachoeira Mãe D’água, também chamada de Cachoeira do Urubu, com cinco quedas d´água – a principal tem cerca de 50 metros de desnível. O acesso é pela via férrea que liga Santo Amaro a Cachoeira, em uma caminhada de 10 km.

Vista parcial da praia de Itapema na maré baixa

Itapema: Vista parcial da praia na maré baixa

Alerta aos visitantes da praia: Amigos favor não ligar som alto

Placas em pontos estratégicos alertam visitantes: Amigos favor não ligar som alto

Outro destino turístico é a Cachoeira da Vitória, que fica na zona rural. Para chegar lá, faça o seguinte roteiro: saindo de Santo Amaro em direção a Oliveira dos Campinhos são 4 km até Gericó. Entrar à esquerda, seguir mais 4 km em direção a localidade de Pedras, sendo o ponto de referência o Bar do Porsidônio na Vitória. Daí é só seguir uma trilha com mais 1,5 km, beirando a margem, ou então, pelo leito do rio até a cachoeira.

Igreja Nossa Senhora da Conceição

Igreja Nossa Senhora da Conceição

Se você ainda tiver tempo e disposição, vale a pena percorrer mais 4 km e visitar o Arraial da Pedra, ou apenas Pedras, na zona rural. A localidade está situada no ponto mais alto do município, dispõe de infraestrutura (luz, água encanada, telefone), pousada e um clima agradável, principalmente à noite. No dia 8 de dezembro, comemora-se a tradicional Festa de Nossa Senhora da Conceição. Como acontece em Salvador, a celebração envolve uma missa e procissão e, paralelamente, ocorre a festa, com barracas de comidas típicas e bebidas, unindo a profana alegria à sagrada devoção religiosa.

Créditos das fotos: Vapor do Paraguaçu (Viajantesemtempo) e Bondinho (Museudantu).

3 comments for “Giro pelo Recôncavo I

  1. Mércia Maria Chaves
    31 de março de 2012 at 10:46

    Agradeço a oportunidade dada pelo Senhor Paranaguá, pela divulgação do Restaurante Trilhos Urbanos , o qual sou a proprietária. Fico feliz em perceber que ainda existem pessoas sensíveis, dispostas a preservar a História do nosso Recôncavo, em especial, nossa Santo Amaro, através desse belíssimo trabalho com fotografias que mostram um pouco do que ainda resta de uma História tão gloriosa! E como diria o próprio Caetano na canção, Santo Amaro, “… o meu trabalho é te traduzir…”

    Mércia Maria Chaves

  2. DANIEL GEUNA
    29 de março de 2012 at 13:19

    ha uns dias que retornei para Argentina, más estou com saudade destas terras catarinense, è inesquecivel.

  3. Sônia Maria Brandão
    18 de março de 2012 at 20:20

    Adorei. Deixa eu contar uma vivência: Quando por volta dos meus 11/12 anos deixei a cidadezinha onde morava – Laje/Ba e passei a morar em Salvador, não existia a BR 101. A viagem era feita passando por todas as cidades do Recôncavo. Este post me fez lembrar muita coisa e conhecer grande parte do que não víamos quando passávamos de ônibus nas nossas idas e vindas no período de férias. Aff!!! Quanta saudade e quanta lembrança. Que coisa boa. E melhor ainda é conhecer a história do Recôncavo, assim. Muito bom. Gostei muito da aula de história.

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